Rio -  A Barcas S.A. terá que passar por uma auditoria independente e contabilizar como receita o dinheiro arrecadado com a linha Charitas-Praça 15, estacionamentos e aluguel de lojas nos terminais das embarcações. As obrigações foram aprovadas ontem na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e poderão determinar mudança no cálculo da tarifa. Ontem, houve mais protestos contra o aumento de 60,7% na passagem Rio-Niterói.

Os deputados derrubaram por unanimidade (55 votos e duas abstenções) o veto do governador Sérgio Cabral à emenda que determinava essas medidas. Conforme o texto, a devassa nas contas da empresa terá que ser feita em 120 dias.

Estudantes e passageiros voltaram a protestar na estação de Arariboia, em Niterói | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Estudantes e passageiros voltaram a protestar na estação de Arariboia, em Niterói | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
A emenda será incluída na Lei 6.138, de 19 de dezembro de 2011, que instituiu nova estrutura tarifária nas barcas. Para o autor da mudança, deputado Gilberto Palmares (PT), a medida vai permitir que se conheça a realidade dos caixas da empresa e, consequentemente, reduzir a tarifa.

“Quando se incluem os verdadeiros valores arrecadados pela Barcas, temos como mostrar que não há o tal desequilíbrio econômico-financeiro que se alega. Não faz sentido retirarem dos cálculos, por exemplo, o valor obtido com a linha Charitas, que é lucrativa e tem tarifa de R$ 12”, disse.

Calcula-se que a linha transporte todo mês 120 mil passageiros. A concessionária informou que o contrato com o estado não prevê que essa arrecadação seja contabilizada como receita. O dinheiro dos estacionamentos de Cocotá, Praça 15 e Charitas e do aluguel de lojas nos terminais já seria inserido no cálculo financeiro.

O resultado da auditoria deverá obrigatoriamente ser apresentado em audiência pública conjunta das comissões permanentes de Transporte e de Orçamento, Finanças, Fiscalização Financeira e Controle da Alerj. Relatório da Universidade Federal de Santa Catarina, feito a pedido da agência reguladora de transportes do Rio, se refere a ‘rombo’ de R$ 106.584.837,69 nas contas da Barcas entre 2003 e 2008.
 
Grupo de estudantes sai em protesto

Nesta quarta-feira, cinco dias após a concessionária Barcas S.A. aumentar o valor da tarifa de R$ 2,80 para R$ 4,50, ainda havia manifestação nos terminais por causa do reajuste. Cerca de 100 pessoas — a maioria estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) — saíram à tarde da Praça Araribóia, em Niterói. De barca, eles seguiram, às 14 h, para a Praça 15, de onde foram até a Alerj protestar.

Foto: Vander Alvim / Agência O Dia

 Durante o percurso, o grupo foi cantando a música ‘Emoções’, de Roberto Carlos, que foi usada para fazer uma paródia: “Se paguei e se sofri, sessenta e um por cento aqui”, cantavam eles, fazendo referência ao percentual do aumento.

Os manifestantes também usaram cartazes e gritaram palavras de ordem. Eles ficaram sentados na escadaria da Assembleia. Rapidamente, chegaram ao local cinco viaturas da Polícia Militar e duas vans com homens do Batalhão de Choque. Apesar da presença de policiais, não houve conflito no local. O grupo tentou entrar na Alerj, mas foi impedido por seguranças.

Fonte: http://odia.ig.com.br/portal/rio/devassa-nas-contas-da-barcas-1.416753